Obrigações Acessórias·25 jun 2026·8 min de leitura

SPED EFD ICMS/IPI: o que é, quem entrega e como gerar automaticamente

O SPED EFD ICMS/IPI é uma das obrigações acessórias mais complexas do sistema tributário brasileiro. Reúne informações de todas as NF-e, CT-e, entradas, saídas e apuração de ICMS em um único arquivo eletrônico enviado mensalmente ao SPED. Neste guia você entende a estrutura completa do arquivo, quem é obrigado a entregar, os erros mais comuns e como automatizar o processo.

O que é o SPED EFD ICMS/IPI?

A Escrituração Fiscal Digital do ICMS e IPI (EFD ICMS/IPI) é um arquivo digital no formato TXT que substitui os livros fiscais em papel — Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Inventário e Registro de Apuração do ICMS. Foi instituída pelo Ato COTEPE/ICMS nº 09/2008 e integra o projeto SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) da Receita Federal.

Em vez de escriturar manualmente cada nota fiscal em livros contábeis, a empresa gera um arquivo estruturado com todos os documentos fiscais do período e envia via internet. As Secretarias de Fazenda estaduais e a Receita Federal cruzam essas informações com os dados das NF-e emitidas e recebidas pelo próprio SPED.

Quem é obrigado a entregar?

São obrigados à EFD ICMS/IPI, em regra:

Cada estado tem suas próprias regras de dispensa e obrigatoriedade. Verifique o protocolo ICMS do seu estado para confirmar se sua empresa está obrigada.

Atenção: A não entrega ou entrega com erros sujeita a multas que variam de R$ 500 a R$ 5.000 por mês, dependendo do estado. Alguns estados aplicam multa proporcional ao faturamento.

Periodicidade e prazo de entrega

A EFD ICMS/IPI é de periodicidade mensal. O prazo padrão de transmissão é até o dia 20 do mês subsequente ao período de apuração, mas cada UF pode ter prazo diferente. São Paulo, por exemplo, exige entrega até o dia 25.

O arquivo é transmitido via Programa Validador e Assinador (PVA) da Receita Federal, que valida a estrutura do arquivo antes do envio. Um arquivo com erros de estrutura é rejeitado e precisa ser corrigido e reenviado dentro do prazo.

Estrutura do arquivo: os blocos do EFD

O arquivo EFD é composto por registros organizados em blocos. Cada linha do arquivo começa com o identificador do registro entre pipes (|REG|). A estrutura segue rigorosamente o Guia Prático da EFD ICMS/IPI.

Bloco 0 — Abertura e tabelas

Contém os dados de identificação do contribuinte, período de referência, participantes (clientes e fornecedores), produtos (com NCM e unidade), unidades de medida e outras tabelas auxiliares. O registro |0000| é o cabeçalho do arquivo.

|0000|011|0|01012026|31012026|EMPRESA EXEMPLO LTDA|12.345.678/0001-90|SP|...|
|0001|1|
|0150|001|FORNECEDOR XYZ|...|98.765.432/0001-10|...|
|0190|UN|UNIDADE|
|0200|7898765432101|PRODUTO EXEMPLO|...|8471.30.19|...|
|0990|5|

Bloco C — Documentos Fiscais I (NF-e e NFC-e)

O bloco mais volumoso. Registra todas as NF-e de entrada e saída do período. O registro |C100| contém os dados do cabeçalho da nota (emitente, destinatário, valor total, CFOP), e o |C170| detalha cada item (quantidade, valor, NCM, ICMS, IPI). O |C190| consolida os valores por CFOP e CST.

O |C190| é onde a maioria dos erros acontece: o CFOP precisa ser consistente com a natureza da operação, o CST deve corresponder ao regime tributário do emitente, e a base de cálculo do ICMS deve bater com o valor declarado na NF-e.

Bloco D — Documentos Fiscais II (CT-e e outros)

Registra os Conhecimentos de Transporte (CT-e) e outros documentos fiscais de transporte. O |D100| é o cabeçalho do CT-e e o |D190| consolida CFOP e CST do ICMS sobre o frete.

Bloco E — Apuração do ICMS e IPI

É o bloco da apuração propriamente dita. O |E110| consolida os débitos (ICMS das saídas), créditos (ICMS das entradas), ajustes e o saldo do período (a pagar ou credor). O |E116| registra as obrigações a recolher (DARFS emitidos).

O saldo do |E110| deve estar consistente com o DARF de ICMS pago no período. Divergências aqui são facilmente identificadas pelo fisco no cruzamento de dados.

Bloco 9 — Controle e encerramento

Contém os totalizadores de cada bloco (quantidade de linhas) e o encerramento do arquivo. O PVA valida esses totais antes de aceitar o arquivo.

Erros mais comuns na geração do EFD

Dica: Sempre valide o arquivo no PVA antes de enviar. O PVA identifica a maioria dos erros de estrutura, mas não detecta inconsistências de negócio (como CFOP errado que passa na validação técnica mas está conceitualmente errado).

Como o Renota gera o SPED EFD automaticamente

O fluxo manual de geração do EFD envolve exportar dados do ERP, ajustar no Excel, importar no PVA, corrigir erros e repetir. Com XMLs de NF-e e CT-e disponíveis, esse processo pode ser completamente automatizado.

No Renota, você importa os XMLs (upload individual, em lote ou via busca SEFAZ DFe com certificado A1) e o sistema:

O arquivo gerado pode ser baixado e importado diretamente no PVA para validação final e envio. O motor de auditoria do Renota também sinaliza CFOPs inconsistentes e CSTs incorretos antes mesmo da geração do EFD.

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